Um "nariz eletrónico" para detetar cancro da bexiga
Olá a todos! Hoje estamos de volta com mais uma publicação e desta vez é sobre um “nariz eletrónico” para detetar o cancro de bexiga, um método inovador desenvolvido por uma cientista portuguesa que permite teste não invasivo, rápido e de baixo custo para vigilância do cancro mais comum do trato urinário.
É certo que a ligação entre odores e doenças é uma associação que já vem de há muito tempo e sabemos hoje que alterações nos cheiros exalados pelo organismo podem ser indicadores de que algo não está bem. Contudo, a ciência tem vindo a aprimorar o olfato para deteção precoce de várias doenças. É o caso de Cecília Roque e da sua equipa, que têm vindo a desenvolver ao longo dos anos este projeto inovador.
“O nariz eletrónico é um conceito que foi introduzido nos anos 1980. A novidade que temos no grupo de investigação tem sobretudo que ver com os materiais que utilizamos como sensores. São materiais completamente novos na sua composição e também no tipo de sinais que conseguimos obter a partir destes materiais", explica Cecília Roque, em conversa com o DN. Ora, isso, acrescenta, "obrigou-nos não só a conceber a parte dos materiais sensíveis a gases, como um equipamento para conseguir extrair sinais destes materiais e também todos os algoritmos que apoiam no processo de identificação dos odores".
O que conhecemos como "cheiro" não é mais do que um conjunto de estruturas químicas que volatilizam no ar, à temperatura e pressão ambiente e entram nas fossas nasais, onde se ligam a recetores olfativos presentes na mucosa e que as associam a cheiros. "Vamos pensar, por exemplo, no café", sugere a investigadora. "O odor que sentimos do café na realidade resulta de uma mistura de vários compostos voláteis que existem em concentrações distintas e é todo esse conjunto que nós associamos ao café. É um padrão de compostos que, no fundo, funciona como uma espécie de impressão digital dos cheiros", explica.
O nariz eletrónico funciona então da mesma maneira: "Em vez de ter uma cavidade nasal, posso ter uma caixinha onde vou ter os meus sensores para voláteis. Esses sensores fazem aqui o papel dos recetores olfativos. Porquê? Porque são feitos de materiais que, quando interagem com os compostos voláteis, alteram-se de alguma maneira. Pode ser uma alteração ótica, elétrica, de massa", explica Cecília Roque.
Uma das vantagens desta tecnologia tem que ver com os materiais utilizados, sustentáveis, "à base de polímeros biológicos". "Neste caso, usamos muito a gelatina, não preparada em água, mas noutro tipo de solventes que não evaporam, o que faz que estes materiais de gelatina que produzimos não sequem. São bons para estes estudos com amostras em estado gasoso, porque não vão secar. A grande vantagem face aos sensores de gases que já existem é que, para além de serem muito resistentes, e de alguma forma mais amigos do ambiente na sua composição, eles operam à temperatura ambiente enquanto os outros sensores químicos operam a altas temperaturas, 400 graus ou mais, precisando de condições muito mais extremas", detalha.
Mas porquê o cancro da bexiga?
A ideia de colocar este nariz eletrónico a cheirar a urina de doentes de cancro de bexiga surgiu após conversas com vários médicos urologistas e contactos com instituições da área oncológica. Com 573 mil novos casos e 213 mil mortes em 2020, em todo o mundo, o cancro da bexiga é o mais comum do sistema urinário e tem o maior custo por paciente entre todos os cancros, o que se deve principalmente à vigilância exigente que emprega técnicas muito invasivas.
"O tratamento destes doentes é quase sempre feito por cirurgia, só que cerca de 80% tem de continuar a ter um seguimento muito apertado. Nos primeiros cinco anos após a cirurgia têm de fazer vários exames muito invasivos, que causam ansiedade aos doentes e que são bastante. Os principais objetivos deste método são então fornecer um teste não invasivo, rápido e de baixo custo para aumentar a adesão do paciente ao acompanhamento da doença e reduzir drasticamente o número de vezes que os doentes têm de ser submetidos a técnicas invasivas e dolorosas.
Assim, em vez de o doente ser sujeito a técnicas como a introdução de um instrumento pela uretra, pode simplesmente dar uma amostra de urina para ser "cheirada" por este dispositivo. Apesar disto não substituir por completo as técnicas atuais, sem dúvida que será possível reduzir o número de vezes que é necessário recorrer a essas técnicas invasivas e caras.
Então e que odores se procuram neste tipo de doentes para diagnosticar o cancro da bexiga? "Não procuramos um ou dois compostos em particular. Olhamos para a complexidade das diferenças. Não para um único marcador, mas sim para um padrão. A tal impressão digital do cheiro, que distingue, neste caso, a urina de um doente com este tipo de cancro."
O título desta notícia chamou-nos à atenção e deixou-nos bastante curiosos, sendo esta uma das principais razões pela qual decidimos trazê-la para o blogue. Porém, depois de ler e perceber do que se tratava, achámos que seria interessante partilhar convosco esta invenção. Não é novidade nenhuma que o cancro é a doença que mata mais pessoas por ano e que é alvo de grande estudo e esforço por parte da comunidade científica para encontrar a cura. Mesmo assim, quantos mais métodos destes forem desenvolvidos, mais fácil será prevenir e acompanhar a doença, reduzindo ainda o stress, dor e desconforto que algumas técnicas causam aos pacientes. Para além disso, sem a tecnologia não seria possível criar nada disto e é de notar os avanços, descobertas e invenções que os cientistas e investigadores do nosso país têm feito. Assim, esperamos que este "nariz eletrónico" seja bastante útil e que torne a vida das pessoas que sofrem de cancro da bexiga um pouco mais fácil.
Obrigada e até à próxima!!

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